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Queijo Minas Pride!

setembro 30, 2011

Free! Free! Quejo de Minas Free!

Tenho a impressão de que nesta era de redes sociais existem mais movimentos, caminhadas e marchas do que em qualquer outra…  Mas sinceramente acho que a quantidade de movimentos em defesa ou não disto ou daquilo é inversamente proporcional à mobilização efetiva, tá tudo muito raso, virtual mesmo, para dizer o óbvio. Eu sei que a recente primavera árabe está aí para contrariar esta minha percepção, mas ainda não mudei de ideia não. Será que a  atual ocupação de wall street vai contribuir para isto? Tenho minhas dúvidas…

Não sou tão pessimista assim, dou a mão à palmatória e reconheço que os movimentos consistentes não são apenas os do Magreb, tem muita manifestação boa por aí, como a que luta pelos direitos dos solteiros, a que defende o orgulho do cabelo tuin e prega a queima de chapinhas em praça pública, e também o movimento a favor  do verdadeiro queijo minas, movimento, que descobri dia desses, numa matéria na Folha de São Paulo sobre um documentário de Helvécio Ratton, que trata especificamente daquele queijo feito na Serra da Canastra. Eu desconhecia por completo tal  imbróglio e olhe que ele  afeta diretamente tanta gente, inclusive a mim e principalmente à minha amiga Paula Magalhães, privadas que somos do verdadeiro quejo minas

Eu já tinha notado a diferença entre os minas de Minas e os que aqui chegam… e também não me passou desapercebida a diferença destes para os que já comi em SP e no RJ. Os que aportam por aqui, aliás, nem esse nome  deviam carregar no rótulo! Mal sabia eu que os verdadeiros minas  que comi são, na verdade, ilegais, fruto de tráfico interestadual de queijo… Vivemos uma verdadeira lei seca do queino minas e tudo por causa de certas normas de higiene  pública, datadas da década de 50 e ainda vigentes!

Pois é, enquanto os queijos da França precisam ter o mofo, e a forma como a ele se chega, mantidos e respeitados, os bons queijos minas daqui não são para todos. Vá entender! É, companheiros e comensais, senti consistência neste movimento em favor do queijo minas; vida longa e fronteiras abertas para ele!

Sandra

A matéria sobre o filme: 

O cineasta Helvécio Ratton fez o documentário “O Mineiro e o Queijo”, que estreia nesta sexta-feira (30), não apenas por causas políticas. Motivos não lhe faltaram, já que os queijos artesanais de Minas Gerais –por serem feitos com leite cru– não podem ser vendidos no resto do país devido a leis higienistas, consideradas obsoletas (datam de 1952), que acabam favorecendo as grandes indústrias de laticínios.

Mineiro criado na região do Serro, Ratton o fez também por causas afetivas, para mostrar que o queijo de minas é não só questão de sobrevivência, mas de identidade cultural. O diretor percorreu fazendas, conversou com produtores e registrou o modo de fazer a iguaria mineira em três regiões do Estado: a Serra da Canastra, o Vale do Paranaíba e a própria região do Serro.

Leia abaixo a entrevista com o diretor do filme:

Guia Folha – O mineiro tem uma ligação afetiva com o queijo. Você inclusive?
Helvécio Ratton – Claro. Eu morei, quando criança, na região do Serro. Eu tinha cerca de cinco anos de idade e me lembro de meus pais irem até as fazendas experimentar os queijos; a gente recebia em casa também, aprendi com minha mãe a cultura do queijo. E na minha casa sempre teve queijo, eu guardei essa relação de afeto com o queijo de minas, de gostar dele. E também de perceber como ele foi –e ainda é– importante na formação de Minas Gerais, pois ajudou os moradores a se fixarem na terra, e faz isso até hoje.

É falado no filme que o queijo faz parte da identidade cultural, da própria autoestima do mineiro…
Faz parte sim, e os produtores consideram que são guardiões de um saber. Este conhecimento chegou às mãos deles, e eles são respeitados por isso. O pessoal da Serra da Canastra é impressionante, há um personagem do documentário que diz “fazer queijo, pra mim, é uma honra.”

Você teve algum problema para conseguir os depoimentos de trechos mais polêmicos do documentário, como os produtores que vendem ilegalmente para São Paulo e o Rio?
Na verdade, eu não tive problema, eu protegi esses produtores. Eles não tinham ideia da gravidade das declarações que estavam me dando. Não coloquei o rosto da pessoa que deu essa declaração, mas ela gravou de cara limpa, sem se preocupar. Eles se abriram muito com a gente por se identificar com o que estávamos fazendo. Eles sabiam que era algo que ia lançar uma luz sobre a situação deles. Mas eles precisavam de proteção, pois o que eles fazem é algo contrário a lei.

E você pretende continuar lutando por essa causa?
Eu quero que eles tomem o filme pra eles. Meu negócio é cinema, o deles é fazer queijo. Eles gostaram muito, os produtores foram à sessão em Belo Horizonte. Era a primeira vez que eles entravam numa sala de cinema, eles estavam fotografando a sala. Não tem mais sala de cinema do interior. Eles estavam loucos, se viram na tela grande, é diferente de se ver no monitor de vídeo.

Pra quem você fez o filme?
Eu queria que, em primeiro lugar, o público visse o filme, pra se informar de uma situação absurda. A primeira condição pra que você possa mudar uma realidade é que as pessoas se informem. E, em um segundo momento, que as autoridades vejam o filme e respondam aos questionamentos que são feitos. O documentário tem uma proposta dupla de informar e polemizar, e de questionar se as restrições que existem até hoje são justas. É importante que a gente saiba porque isso é assim e, se for o caso, porque deve continuar assim.

Diretor Helvécio Ratton fala sobre o filme; ouça:

http://guia.folha.com.br/cinema/983096-em-filme-polemico-diretor-mostra-lei-absurda-do-queijo-de-minas.shtml

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6 comentários

  1. Paula Magalha adora um queijinho desses!


  2. Esse movimento é de bom gosto! Já vou aderir! Libertem o queijo minas! 😉


  3. Eu tb adoro um queijinho desses! Quero ver esse filme, viu?! Tenho uma receita de bolo de milho q pede um meia-cura e nunca conseguimos reproduzir como o original pela falta do tal! Valeu, Sandy!


    • opa, Martinha, vamos fazer este bolo, temos que achar o queijo!


  4. Massa Sandra! Quero ver o filme!
    Bom lembrar que temos o mesmo problema em PE com o coalho ‘natural’, vendido as escondidas em certos lugares (quem quiser saber, pergunte). Queijo francês não pasteurizado é proibido nos EUA, onde existe todo um universo pirata de consumidores e traficantes. Dá um google em ‘ilegal cheese’ pra ver uma coisa.



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