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Na (finada) Confraria: Banana Frita Al Mare

fevereiro 28, 2008

Domingo

A delícia de descobrir a culinária entre amigos

Confrarias da gula dão ótimas oportunidades de exercitar a imaginação com receitas autorais e estreitar laços de amizade

Luciana Veras
Da equipe do DIARIO

Reunir amigos ao redor de uma mesa, sem hora para acabar o encontro, com pratos preparados para a ocasião e diversas opções etílicas não implica, necessariamente, reservar com antecedência um lugar em restaurantes passíveis de estarem lotados justo naquela noite. É possível organizar uma farra gastronômica – com espaço para experimentações culinárias e iguarias inventadas – e gregária em casa. Basta, apenas, estar de acordo com algumas poucas e acessíveis regras, exercitar a criatividade na elaboração de receitas e, assim, tornar-se membro de uma confraria da gula.

A Gourmet Trash Contest manteve encontros por mais de um ano, com direito a eleição de melhor jantar do período. Fotos: Gil Vicente.
  Elas existem. Os advogados Sandra Souto Maior e Tiago Gonçalves, com outros seis casais e uma dupla de amigas, mantiveram uma confraria (chamada, com um certo carinho, de Gourmet Trash Contest ou A Confraria por alguns deles) por mais de um ano. “Algumas pessoas inventavam os pratos, outras procuravam em livros. Na nossa vez, nós inventamos tudo”, conta Sandra, que no início ainda namorava e hoje é casada com Tiago – é dos dois a receita que aparece nesta página. “Eram 16 pessoas, divididas em 8 duplas. A idéia era que cada uma ficasse responsável por um jantar. Tivemos a idéia quando foi lançado O Clube dos Anjos, aquele livro de Luís Fernando Veríssimo”, explica Tiago, que era o encarregado de organizar o calendário e de guardar a urna.

Banana Frita al Mare é criação da dupla Sandra e Tiago, mas todos colocam a mão na massa.
  Sim, nesse caso os confrades avaliavam tudo. “As regras eram que os anfitriões tinham que cozinhar tudo e o resto levava as bebidas. Marcávamos no fim de semana, quando todo mundo podia, e ficávamos nos comunicando por e-mail. No jantar, o menu era analisado sob os critérios de apresentação, originalidade, harmonia, sabor e aroma. Ao final, as pessoas votavam e a gente guardava os votos”, lembra Tiago. “As notas eram atribuídas de 0 a 10 e as pessoas podiam fazer observações”, recorda o artista plástico Rodrigo Cabral, também um confrade. União – Cabral e a esposa, Sarita Brito, entraram depois. “Pra gente foi importante, porque nosso filho tinha 4 anos e a gente estava um pouco afastado dos amigos. Com a confraria, retomamos o contato”, diz Sarita. Todos são unânimes em afirmar que a confraria serviu, também, para aproximar ainda mais a galera. “Foi tanto tempo que houve separações e reconciliações, casais acabaram e voltaram na confraria, e todo mundo ficou mais unido”, rememora Tiago. Além de fortalecer a amizade, as reuniões regulares fizeram com que alguns aprendessem a cozinhar. “Eu nunca tinha ido para a cozinha antes. Quando foi a nossa vez, fomos pesquisar em livros”, situa a arquiteta Juliana Pontes. E assim, entre dicas, palpites e sugestões, pratos de massa, coelho, carneiro, peixe, frango e camarão foram bolados. O custo era alto para a dupla que ofertava o lauto jantar, porém compensado pelos meses seguintes. “A gente gastava um bocado, mas no final valia a pena”, aponta Sandra. E cada noite de confraria se estendia pela madrugada, sem a preocupação com o tempo e com a companhia de compadres do garfo e do gargalo.
  Se a Gourmet Trash Contest chegou ao fim quando acabou o rodízio (e a urna foi aberta meses depois, numa outra farra), uma confraria da gula ainda permanece. “Já estamos no quarto ano. No começo era mais sério, o anfitrião cozinhava tudo – tira-gosto, entrada, prato principal e sobremesa – e os outros rachavam a bebida. Agora, a regra é que todo mundo cozinha”, conta a jornalista Adriana Victor. O grupo, formado por quatro casais, não tem periodicidade fixa (“depende da agenda de todo mundo”), mas perpetua a alegria de se juntar para comer bem. “Já tivemos receitas da paella, uma sobremesa maravilhosa de brownie com sorbet de frutas vermelhas, um carneiro de forno, frango ensopado, enfim, vários pratos deliciosos”, detalha Adriana. Ser confrade, como se vê, pode ser trabalhoso, mas é de um prazer indescritível.
ReceitaBanana Frita al Mare INGREDIENTES
– Banana prata
– Queijo gouda
– Queijo catupiry cremoso
– Creme de leite fresco
– Vinho branco
– Noz-moscada
– Camarões
MODO DE PREPARAR
  Coloque os camarões para cozinhar, sem casca e cabeça, sem água, apenas com sal, um tomate e uma cebola (ambos cortados em quatro partes). Separe os camarões já prontos (quando estiverem rosados) do tempero e reserve-os. Corte as bananas em tiras e frite na manteiga. Quando estiverem com uma cor bem ferrugem, coloque três tiras em cada prato de sobremesa. Para o creme de queijo, rale o gouda e coloque numa frigideira, em fogo brando, com um fio de azeite. Acrescente o catupiry e mexa sempre até obter um creme homogêneo. Adicione duas xícaras de creme de leite, aproximadamente meia xícara de vinho branco e rale uma noz-moscada. Antes de ferver, acrescente os camarões, mexa rapidamente, retire do fogo e coloque um pouco do creme com os camarões sobre cada prato com as tiras de banana frita. Deixe um ou dois camarões grandes para guarnição. Sirva imediatamente como entrada.
DICA
  A quantidade dos queijos é opcional, porém a sugestão é que para uma porção de gouda seja colocada meia porção de catupiry.

(Diário de Pernambuco – Caderno Domingo, 13/março/2005).

2 comentários

  1. Très chiq!


  2. Uma das coisas que perdi morando fora foi essa confraria!!! adoraria ter participado🙂 foi mesmo show!!



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