Muita gente me diz não gostar de lagosta. Eu mesma não gostava tanto assim. De uns tempos pra cá, porém, tenho invistido nelas e os resultados têm sido bastante satisfatórios. Em geral, trago as lagostas do mercado de Cabedelo, onde as compro bem fresquinhas, mas sei que no mercado público de BV tb tem lagosta fresca, e as que Neilde, mãe de Valentina, levou pra Carneiros esse verão estavam ótimas, enormes (!), e eram de lá.
Nas minhas tentativas, observei que fogo alto e manteiga são as coisas mais importantes pra elas não ficarem borrachudas e, ao contrário, ficarem bem crocantes por fora e macias por dentro. Com aquela consistência ótima que todo camarão deveria ter, estalando quando a gente morde.
As lagostas à moda de Carneiros foram feitas na brasa, besuntando as lagostas, sem as cascas e sem vísceras, com manteiga e, depois de prontas, molhando-as no molho das Bermudas, que vem a ser um molho de manga com curry.
Pode ser manteiga comum ou de garrafa. Já usei as duas e sempre fica muito bom. Só isso e brasa já dá uma lagosta ótima. A propósito, isso tb pode ser feito no forno (alto) ou fritando a lagosta na manteiga super quente, na frigideira mesmo. Nesse caso, como na brasa, é importante não ficar virando as bichinhas, deixar elas pegaram cor pra poder virar.
O molho das Bermudas foi tirado de um livro que adoro, do jornalista Sílvio Lancellotti, chamado “160 Receitas de Molhos”, que é uma versão mais resumida e simples de um outro livro dele, “O Livro dos Molhos”. Só conheço o primeiro, edição da L&PM Pocket, que recomendo com entusiasmo.
Ele faz a receita em banho maria, eu faço na grosseria mesmo, afinal, em Carneiros, naquelas cozinhas de quem não tem apreço pela arte, não tem quem aguente ficar esperando dona maria tomar banho.
As quantidades variam conforme o doce ou azedo das frutas da ocasião, mas a proporção é mais ou menos a seguinte:
5 xícaras de chá de suco de manga, sem água, e peneirado;
2/3 de xícara de chá de suco de laranjas, tb peneirado;
1/3 de xícara de chá de suco de maracujá, tb peneirado, claro;
1/2 sumo de um limão, tb peneirado, evidentemente;
curry picante a gosto, no nosso caso, a muito gosto, e sal.
Sílvio, além de fazer em banho maria, acrescenta aspartame (argh)
Coloco primeiro o suco da manga, quando começa a borbulhar, provo e vejo se está muito ou pouco doce; de conforme, acrescento o suco de larajna em maior ou menor quantidade; faço o mesmo antes de colocar o maracujá e o limão. Por fim, coloco bastante curry, um bem picante que trouxe da inglaterra, e sal.
Gosto de usar manga Espada, especialmente em Carneiros, porque lá é a manga que mais tem nos sítios (embora esse ano não tenha tido manga alguma dessa marca), ou Tommy porque são docinhas e não têm muita fibra. Não gosto muito da Rosa justamente por causa da fibra.
E pronto. Com o molho feito, asso as lagostas na brasa, Sandry abre o espumante e Ana vai ao delírio!
Aí, Berna e Sandry, finalmente as Lagostas de Carneiros.
Tati.
PS. Estas lagostas vem sendo feitas várias vezes ao longo dos anos, com e sem casca, sempre fazem sucesso e sempre também com o molho de manga e curry para acompanhamento. Ontem, foi registrado o preparo das lagostas que recebi de presente de Marina Mendonça e Leo Zeba, super hiper deliciosas! Beijos, Sandra.








